Sem você eu tenho tanto medo - Luiza Colmán
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Há alguns anos atrás eu estava conversando com uma moça, e ela me contava as dificuldades que estava enfrentando em seu casamento.

Se sentia profundamente infeliz, e esgotada de tanto lutar para que a relação funcionasse. O marido era extremamente frio, não lhe dava atenção, lhe cobrava os mínimos detalhes em tudo. Nunca lhe fazia um elogio. Não se sentia amada ou admirada. E, para piorar tinha descoberto um caso extraconjugal dele de anos.

Nesse cenário, ela tentava juntar forças de onde não tinha para continuar lutando pelo casamento. Sabia que era uma luta solitária. E ela se perguntava se ainda teria energia para continuar lutando.

Ao ouvir a história dela, algumas dúvidas iam surgindo instantaneamente na minha cabeça. Ela era jovem, bem-sucedida no trabalho. O apartamento onde moravam era dela. Não tinha filhos. Era bonita, agradável, inteligente. Porque raios essa mulher ainda continuava nessa relação?

Não contendo a curiosidade eu perguntei. (Tinha que perguntar!) O que ela ainda esperava daquela relação?

Ela não soube responder. Eu, continuei: O que de bom ainda tem nessa relação para que você se proponha a lutar por ela? Que diferença faz na sua vida estar com ou sem ele? (Já que claramente ela vivia uma solidão a dois!)

Ela me respondeu: A presença dele me acalma. Faz com que eu me sinta segura. Não sei dizer. Me sinto protegida!

É interessante pensar como isso soava irracional e ainda assim fazia sentido para ela. Mas o que me chamou atenção é que, ao longo dos meus anos como terapeuta de mulheres que sofrem por amor, eu me deparei várias e várias vezes com essa mesma fala.

“Me sinto protegida na presença dele”. Essa fala foi repetida por mulheres de 20, de 30, de 40 anos. Casadas ou namorando. Dependentes ou independentes financeiramente. Todas elas se sentiam protegidas na presença do parceiro mesmo que a relação estivesse terrível.

Com isso, não tinha como negar que a sensação de desamparo, de medo de estar só após o término de um relacionamento, é um dos grandes fatores que provocam dependência afetiva nas mulheres. Este medo as mantém, durante anos, em relacionamento infelizes, tóxicos e, abusivos.

Essa sensação de desamparo nos remete a um estado infantil de não ser capaz de cuidar de si mesma frente a um mundo extremamente ameaçador. É uma sensação de incapacidade e impotência frente a vida, principalmente, quando precisamos reconstruí-la.

Dessa forma, edificamos nossa segurança no chão da relação. E quando esta se desfaz, nos sentimos como uma criança que perde do pai na feira: sozinhas, indefesas, perdidas, desprotegidas, paralisadas. E o medo é tão intenso (Tão intenso mesmo!!!) que, mesmo sendo irracional, acreditamos que vamos morrer.

Neste contexto, acreditamos que é preciso ter alguém para se responsabilize por nós. Alguém que nos nutra de cuidado ou resolva a situação caso fiquemos doentes, tenhamos problemas com o carro, com o chefe, ou qualquer outro desafio do dia a dia. Alguém que “garanta” nosso bem-estar. (Bem paradoxal e idealizado isso!)

É importante refletirmos sobre o tamanho desse medo porque ele nos aprisiona em locais dolorosos quando se trata de amor.

É necessário, portanto, olhar para nós mesmas e nos vermos como adultas, competentes e capazes de gerir e administrar nossas próprias vida. Capazes de nos defender, de buscar ajuda e apoio quando necessário, de encontrar soluções para os desafios da vida. (Sim, nós podemos!!!)

E se você não sabe fazer isso tudo ainda?

Não tem problema, você pode aprender! Não nascemos sabendo de todas as coisas. E muitas delas aprendemos vivendo. Se permita aprender novas habilidades. Se permita crescer com os erros. Mas a questão é: você quer crescer? (Tem gente que não quer!)

Olhe para mulher que existe dentro de você, e perceba que só você pode dar conta da sua vida! Porque ela é sua!

O parceiro precisa ser um apoio a mais, mas não o chão no qual estruturamos toda nossa segurança.

Você é seu próprio chão! Aprenda a aduba-lo! A cuidar dele! A única pessoa capaz e responsável pela sua proteção é você MESMA! Portanto, proteja-se da infelicidade de relacionamentos falidos!

Transferir essa responsabilidade para o outro é construir uma prisão emocional para si mesma! Não se permita ser escrava emocional de ninguém!

Liberte-se!!!!