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A trilogia 50 tons de cinza surgiu trazendo alvoroço especialmente junto ao público feminino e teve recentemente o seu segundo filme lançado – Cinquenta tons mais escuros.

Mulheres do mundo todo parecem fantasiar como seria estar no lugar da protagonista Ana Steele e viver um romance arrebatador com Christian Grey. Essa relação é marcada pela intensidade, novidade, sexo, paixão, angústia e transformação de vida. Tudo aparentemente muito sedutor.

Apesar do livro e filme serem classificados como eróticos e a história toda ter um apelo bastante sexual, é interessante notar que a atração pela saga cinquenta tons mais escuros, consiste na verdade, por ser uma “história de amor”.

Isso mesmo, por mais que o sexo tenha sido exaltado a obra fala da história de amor entre Ana e Christian. (Ou pelos menos o que autora julga ser amor).

A autora desse best seller usa uma fórmula antiga que se encaixa perfeitamente nos ideais românticos ocidentais: mocinha, pura, virgem, de coração bom e determinada, encontra homem com traumas emocionais do passado, que fazem com ele tenha um comportamento julgado como “ruim”. (Em outras situações esse homem poderia ter também problemas ligados a caráter ou vícios).

Essa fórmula é utilizada por novelas, filmes, romances literários e eu tenho certeza que você já viu algo que faz referência a ela. (Se você já assistiu uma novela da Globo sabe do que eu estou falando!)

Portanto, a história do filme cinquenta tons mais escuros faz referência a antiga e lendária história da Bela (Ana Steele) que SALVA a Fera (Cristian Grey) da maldição colocada por uma bruxa (traumas da infância ligadas a mãe).

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Agora, pegue essa fórmula que já é sucesso a anos, acrescente cenas picantes de sexo selvagem, e temos uma obra extremamente atrativa para as mulheres dos dias de hoje. Principalmente se considerarmos que apenas um terço das mulheres já tiveram um orgasmo.

Uma Mistura Perigosa

O filme alinha os anseios mais profundos de milhares de mulheres ao longo do mundo, juntando duas necessidades básicas: a de ser amada e ter prazer sexual. Isso tudo ampliado dentro de um contexto de sedução e regado a dinheiro. Não é à toa que cinquenta tons mais escuros se tornou um best-seller.

Inúmeras críticas têm sido feitas a obra, principalmente pelo movimento feminista, por colocarem a mulher em situação de objeto e em contexto de violência psicológica e física. Acredito que as reflexões são válidas, mas esse, na minha opinião, não é o maior problema trazido pelo filme.

A minha maior preocupação, aquela que me dá arrepios só de pensar, é como esse filme tem alimentando a ideia de que é possível, salvar, mudar, transformar, um homem SÁDICO apena com amor. (O arrepio é porque são essas fantasias que colocam a mulher em situações de violência!)

Essas fantasias de salvamento permeiam os ideais românticos a anos e fazem as pessoas acreditarem que o amor é capaz de curar feridas antigas, traumas de infância, vícios, defeitos de caráter, entre outros problemas. E isso é uma distorção extremamente PERIGOSA e ingênua.

 

 

O amor quando saudável, pode com certeza facilitar o crescimento do outro, mas salvar NÃO! Algumas mudanças precisam ser feitas pelo próprio indivíduo que se esforça para ser diferente e crescer.

É importante perceber que a ideia de salvamento é um atrativo duplo: Ana salva Christian de seu passado sombrio, e ao mesmo tempo o amor de Cristian salva Ana da mediocridade e a pequenez que ela acredita ser sua própria vida. É a tampa e a panela!!!

Quando estava no cinema vendo esse último filme, e ouvia os burburinhos das mulheres com as aparições de Chritian Grey, constatei tristemente que o mais sedutor nesse personagem não é o fato dele ser muito bonito, sarado, ou “bom” de cama. Também não é o fato dele ser um bilionário pronto para atender todos os desejos materiais de sua amada.

Essas características são apenas um “plus”, um bônus.

O que torna Cristian Grey irresistível é o fato dele ser um homem “quebrado” emocionalmente.

Espantosamente, homens com o perfil de Grey, com traumas emocionais profundos que o impede de se relacionar de forma saudável com as mulheres, são extremamente sedutores. Vocês já se perguntaram o porquê?

Porque homens com o perfil “badboy”, “anjo caído” ou “fera ferida” fazem tanto sucesso?

Cinquenta Tons Mais Escuros e as Distorções

O que tenho percebido trabalhando com mulheres que sofrem por amor é que, ser capaz de conquistar o amor de alguém como Grey traz um “senso de valor” para elas. As coloca em um lugar “especial”, diferente de todas as outras que fracassaram.

Quando observamos a personagem de Ana Steele percebemos que ela não é uma mulher muito atraente, não é rica, nem muito inteligente. É uma mulher comum.

Esse fato é essencial, pois é o que cria a identificação com milhares de mulheres comuns que alimentam a perspectiva de que o amor de um homem como este as tornariam especiais.

Aliás, perceber que este tipo de homem as amam, faria com que elas mesmas acreditassem que são realmente especiais. (E isso no final das contas é o mais importante)

Deste modo, conquistar um Cristian Grey alimenta a autoestima de mulheres que na maior parte das vezes não se sentem merecedoras de amor. Conquistar alguém como ele é provar para si mesma, que é digna de ser amada.

Essa necessidade de se sentir digna de amor faz com que muitas mulheres lutem bravamente para salvar os “Christians Greys” da vida real.

Em se tratando de realidade, esses homens são tão sedutores, manipuladores, perigosos e destrutivos quanto o personagem do cinema. Com uma exceção, não podem, nem querem ser “salvos” pelo amor. (E nem são tão bonitos e ricos também).

O segundo filme, cinquenta tons mais escuros, faz referência ao perigo de se relacionar com Grey quando traz a figura da ex-namorada Leila. Ela teria vivido um relacionamento com ele no passado e ficado completamente desequilibrada.

Ao final do filme, ela acaba sendo internada numa instituição psiquiátrica por ameaçar matar Ana. Infelizmente, na vida real existem muito mais mulheres com o final de Leila do que o de Ana.

No filme, em um diálogo entre Mrs. Robison e Ana, ela pergunta: “Você acha que você é a primeira a tentar salvá-lo?”.

“Homens Grey” já tiveram várias tentativas de serem resgatados por boas mulheres. Na ficção isso é possível. Na vida real, NÃO!

Não é possível curar sadismo com amor!!! Assim como não é possível curar medo de intimidade, problemas de infidelidade, desonestidade, falta de caráter, alcoolismo, ou violência com o amor.

cinquenta tons mais escuros

Quem já passou por um Christian Grey da vida real sabe o quanto é devastador e destrutiva a experiência. E que a sensação realmente é de enlouquecimento. “Christians Greys” da vida real são bem menos glamorosos, trazem muito sofrimento e muitas vezes, levam a finais trágicos. Será que vale o risco?

E fica o meu alerta: parem de lutar e perder saúde com relacionamentos que jamais serão o que vocês precisam.

Usem uma estratégia diferente para se sentirem merecedoras de amor, SE AMEM!!! Se amem verdadeiramente, profundamente, intensamente.

Não dependa do amor de um homem para perceber o seu valor. Mais ainda, parem de tentar provar o seu valor transformando a vida do outro. Transforme a sua própria vida!

Você quer ter uma noite de sexo com Christian Grey? Ok, divirta-se!

Você quer casar e formar família com Christian Grey? Procure ajuda profissional.